Regiões que outrora pertenceram o império de Gaza. Aceder a vila de nova Mambone continua sendo um autêntico martírio, doloroso por estrada, pois o acesso principal é herança do colono, construída com sangue dos nossos antepassados.

Vila de Nova Mambone hoje parece um povoado qualquer, não tem fotografia digna de uma vila sede de um distrito que dista a menos de cinquenta quilómetros da estrada nacional número um, outro cancro em ruínas sem concerto.

A vila de nova Mambone é perfumada pelo cheiro de peixe capturado pelos pescadores locais sendo vendido pelas mulheres que falam Cimachanga, um Ndau próprio dos Simango, na verdade, de Mambone e Machanga partilham quase tudo, tradições, língua, culturas, aqui a separação é quase ténue. Aliás, são dois povos que parecem não constar nos planos de desenvolvimento do país que se chama Moçambique.
Vila de nova Mambone, única coisa nova está no nome, pois os edifícios que o governo usa são resultados de xibalo, os bares, as lojas são do tempo colonial, talvez construídas na época antes da chegada de Vasco da Gama, influência árabe é mais evidente através do cerimonialismo nos cultos aos antepassados e não só.
As únicas infraestruturas que emprestam beleza a vila são bancas construídas de madeira e zinco para confeccionar comida, o peixe é muitas vezes vendido ao relento.
O pavimento da vila continua seco, sem sinais de um dia ser regado pelo asfalto ou se banhado apedrejado por pavês, o povo continua firme, as canoas, algumas a motor, o mesmo motor que aquece corações, protege destinos e alimenta esperança da chegada de melhores reis para salvar a vila de Mambone e suas terras vizinhas.
São traços deixados pelos governantes ao longo de meio século de governação e promessas vazias. (INTEGRITY)







