Quelimane: Nyusi anuncia ajuda de 250 milhões para a retoma pós-Freddy

De visita a Quelimane, onde a tempestade desalojou quase 50 mil pessoas, o Presidente moçambicano prometeu 250 milhões de meticais [cerca de 3.7 milhões de euros] para a "retoma rápida" de serviços sociais.

Estima-se que pelo menos 53 pessoas morreram em consequência do fenómeno que afectou mais de 253 mil pessoas.

Numa declaração à nação, realizada na noite de ontem, o Presidente da República alertou que a “situação de emergência persiste”, com as chuvas intensas.
A Zambézia é a província mais afectada, onde, segundo Filipe Nyusi, se registaram “inundações de várias extensões urbanas que ocorreram com maior intensidade no distrito de Quelimane, onde temos o maior número de afetados, 49.159 pessoas desalojadas em 133 centros de acomodação”.
“Registámos a destruição parcial de 27.893 casas e um total de 20.241 casas totalmente destruídas e 1.417 casas inundadas”, adiantou ainda o Presidente moçambicano.
Apelo à solidariedade
O município de Quelimane lançou esta quarta-feira uma movimento de angariação de apoio às vítimas do ciclone Freddy. O autarca Manuel de Araújo alertou que “há crianças a dormir no chão, em esteiras, sem cobertores, e muitas casas ficaram sem tetos” e, por isso, lançou o apelo: “A quem puder fornecer chapas de zinco ou outras coberturas ficaremos muito gratos”.
O Presidente moçambicano também apela à solidariedade interna. Mesmo assim, garante que para atender as necessidades urgentes dos afetados, o Executivo está a mobilizar fundos junto dos parceiros.
“O Governo vai alocar uma verba de 250 milhões de meticais [cerca de 3.7 milhões de euros] a ser geridos pelo governo provincial para assegurar a rápida retoma de escolas, unidades sanitárias e outros serviços sociais”, prometeu.
Instituições para o futuro
O estadista anunciou ainda o alargamento do gabinete de reconstrução pós-Idai “para incluir a recuperação dos estragos causados pelo ciclone Freddy na província da Zambézia” e a instituição de um “gabinete permanente de reconstrução pós-ciclones”.
E porque o país é constantemente afetado por eventos climáticos, Filipe Nyusi defende a criação de uma comissão técnico-científica, mas também a transferência, “de forma definitiva, das populações residentes em zonas de alto risco para zonas seguras”. Para isso, frisou, “será determinante o papel das autoridades e lideranças locais”.
“Não podemos estar constantemente a reassentar as mesmas pessoas, nem podemos ver pessoas a edificar nas zonas por onde passa normalmente água e ficarmos indiferentes”, sublinhou o Presidente.
Entretanto, a região centro do país continua a registar fortes chuvas. As autoridades alertam para a ocorrência de inundações nas bacias do Zambeze e Licungo. (DW África)
Exit mobile version