Quando um sistema é “diabolizado”, deixa de ser apenas objecto de análise racional e passa a ser tratado como algo intocável, quase sagrado ou perigosamente proibido. A crítica, que deveria ser instrumento de aperfeiçoamento social e político, transforma-se em ameaça.
O medo de criticar nasce, muitas vezes, de uma cultura em quem questiona é rotulado de rebelde, ingrato ou inimigo. Nesse contexto, o medo de criticar revela, muitas vezes, fragilidade institucional, porque sistemas sólidos não temem questionamentos, fortalecem-se com eles.
Compreender que a crítica não é sinónimo de destruição, é sinal de maturidade intelectual. Em sociedades saudáveis, o questionamento é visto como contributo, não como afronta. Quando se diaboliza o sistema, tende à estagnação. Mudemos de pensamento e entendamos que criticar é propor melhoria, apontar falhas com responsabilidade e oferecer alternativas.
Portanto, criticar não significa odiar, nem conspirar, é uma demonstração de compromisso, porque só critica quem se importa, quem acredita que algo pode e deve melhorar. A ausência de crítica, perpetua erros e impede a inovação. Agora, confundir uma critica construtiva com ataque é uma estratégia recorrente para desmerecer vozes discordantes.
E, se quisermos uma sociedade mais justa, mais eficiente e mais democrática, precisamos normalizar o acto de questionar. Precisamos compreender que discordar não é dividir, mas enriquecer o debate. Por isso, não diabolizemos o sistema; fortaleçamo-lo com diálogo, reflexão e coragem intelectual.
Por: Cadeado Cadeado
- Possui Graduação em Ensino de Português com Habilidades em Ensino de Línguas Bantu, pela Universidade Púnguè (2021). É professor de Português.






