É numa dimensão de ataque, quando a oposição e seus respectivos simpatizantes são alérgicos às críticas que em última instância tem como finalidade suscitar alguma melhoria, como diz o adágio popular “se critica quando se acredita que pode se fazer melhor” trecho retirado do livro — A Ignorância do Político, do Yves Delóy, contudo na nossa bela pátria, a tendência é contrária.
A mesma oposição não porque não critica, mas porque ela foi concebida na génese de resistência a crítica, “ela emite a, mas não pode ser direccionada a crítica”, repito, é alérgica na sua fundamentação, além disso, herdou uma cultura que podemos denominar “alergia à crítica estruturante”, cuja retórica dominante é combatê-la, todavia resiste diante as críticas direccionadas, apelidando de “ataque” ao partido.
Segundo, é numa dimensão de suspeita, quando não se avalia o teor do argumento, muito menos a sua finalidade, isto é, há um comodismo de concordância instalada no partido da posição que consiste na doutrina de aceitação, disciplina embora que a mesma renúncia a coerência do raciocínio, falo do raciocínio porque reduz o exercício de pensar por parte dos seus membros e simpatizantes.
Isto acontece porque desde a sua fundação ficou enraizada a suspeita de que todos que o criticam tendem a ser apelidados de opositores com a falácia de que “esses não são nossos”, defendem-no ferozmente, mesmo sem bases para o fazer, mas com única finalidade: manter a aceitação interna, e atribuir o que muitos pseudos- comunicadores denominam de “Alinhamento de Comunicação Institucional”, embora a comunicação não é feita de comodismo, silêncio, mas responsabilidade.
Quando falamos de responsabilidade política, falamos da própria essência da política: a capacidade dos líderes de concretizar os seus objectivos através da combinação de autoridade, legitimidade, negociação, carisma, ideias e organização, conforme defende F. Fukuyama in Origens da Ordem Política.
A organização pode ser vista como um instrumento de reconhecimento, a título de exemplo o posicionamento do líder do PODEMOS face a actuação do deputado do partido, se configura como um acto celebratório de responsabilidade política. Digo isso, porque no país não é comum um partido assumir um erro, reconhecer, o mesmo sobre as manifestações, embora não queira falar sobre, mas “tanto o promotor assim como o governo nunca aceitou que houve exageros, e muito menos saíram em público para esclarecimentos e pedido de desculpas.
Apenas acompanhamos o percursor das manifestações no acto de responsabilização achando que é caça bruxas ou perseguição política, por outro lado, o governo a negar os seus actos por meio da actuação da polícia, falhando novamente na responsabilidade política, toda a vida social ecoa na política e a execução da política está condicionada a responsabilidade.
Idorcídio Manjass – Jornalista







