A sua morte assinala a perda de uma figura central na administração pública e na política moçambicana, cujo percurso reflectiu compromisso com a organização do Estado e com a consolidação da governação local.
Ao longo da sua carreira, Gamito desempenhou funções estratégicas em diferentes níveis da administração. Como ministro da Administração Estatal, teve um papel crucial na modernização e reorganização das estruturas do Estado, promovendo políticas de descentralização e fortalecimento da gestão pública. A sua actuação nesse período contribuiu para a construção de mecanismos institucionais mais eficientes e para a implementação de reformas estruturantes na administração pública.
No papel de governador de Nampula, a província mais populosa do país, Gamito enfrentou desafios complexos, desde a coordenação de serviços públicos até à mediação entre interesses locais e directrizes do governo central. A sua gestão ficou marcada por um enfoque na estabilidade administrativa e na capacidade de resposta do Estado às demandas da população, reflectindo sensibilidade política e experiência técnica.
No âmbito legislativo, enquanto deputado da Assembleia da República, Alfredo Gamito assumiu papéis de destaque. Presidiu à Comissão Ad-Hoc para a Revisão da Legislação Eleitoral, contribuindo para debates fundamentais sobre a transparência e a evolução do sistema democrático em Moçambique. Além disso, liderou a Comissão da Administração Pública e Poder Local, impulsionando reformas que fortaleceram a governação descentralizada e o funcionamento das instituições públicas.
O falecimento de Gamito deixa um vazio na política nacional, sobretudo entre aqueles que acompanharam o desenvolvimento institucional do país e os processos de reforma administrativa. O seu legado é reconhecido por aqueles que valorizam a consolidação de instituições fortes e a prática de uma política orientada para o serviço público.
A família, profundamente consternada, comunicou que as exéquias fúnebres vão ocorrer em Maputo, em data e hora a anunciar oportunamente. A esposa Maria Fernanda, os filhos Manuel Alfredo, Rogério Carlos, José Alberto, Rui, Natércia e Maria Fernanda, assim como netos, bisnetos e demais familiares, expressam pesar pelo falecimento de um ente querido que marcou a história política de Moçambique.
PRESIDENTE DA REPÚBLICA MANIFESTA PROFUNDO PESAR PELO FALECIMENTO DE ALFREDO GAMITO
O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, manifestou profundo pesar pelo falecimento de Alfredo Gamito, ocorrido na noite de domingo, vítima de doença prolongada, tendo, em mensagem, destacado a “perda de um servidor público cuja acção marcou decisivamente a Administração do Estado no período pós-guerra civil”.
Na sua mensagem de condolências, o Chefe do Estado sublinha que Alfredo Gamito foi uma figura de referência no processo de reconstrução institucional do País, tendo dedicado grande parte da sua vida ao serviço público, com elevado sentido de responsabilidade, patriotismo e compromisso com o interesse nacional.
“O falecimento do compatriota Alfredo Gamito representa uma perda significativa para Moçambique, particularmente no domínio da Administração Pública e da governação descentralizada, áreas às quais dedicou grande parte da sua vida com sentido de missão, competência e elevado espírito patriótico”, refere o Presidente da República.
A mensagem presidencial prossegue recordando que, enquanto Ministro da Administração Estatal, entre 1995 e 2000, Alfredo Gamito liderou um vasto programa de reformas administrativas orientadas para a modernização, descentralização e profissionalização da Administração Pública, num contexto particularmente exigente de consolidação da paz e reconstrução nacional após a guerra civil.
“O seu papel foi determinante no processo de municipalização do País e na preparação das primeiras eleições autárquicas realizadas em 1998, como parte do esforço de reconstrução do Estado e de promoção da governação local democrática”, sublinha.
O Chefe do Estado evoca igualmente o percurso de Alfredo Gamito como Vice-Ministro da Agricultura, Governador da província de Nampula e Deputado da Assembleia da República, funções nas quais deu contributos relevantes para a formulação de políticas públicas e para o fortalecimento das instituições democráticas do País.
“Alfredo Gamito destacou-se como um homem de diálogo, visão estratégica e profundo conhecimento da máquina do Estado, tendo defendido e acompanhado a aprovação da legislação que instituiu as autarquias locais em Moçambique e viabilizou a realização das primeiras eleições municipais”, acrescenta.
Na parte final da mensagem, o Presidente da República endereça sentidas condolências à família enlutada, aos amigos e a todos quantos privaram com o malogrado, exprimindo solidariedade neste momento de dor e luto.
“Neste momento de profunda consternação, apresento, em nome do Governo de Moçambique, do Povo moçambicano e em meu próprio nome, as mais sentidas condolências à família enlutada, rendendo justa homenagem ao legado de serviço e dedicação de Alfredo Gamito à Nação”, conclui o Presidente Daniel Chapo. (Nando Mabica)







