Chega-nos um novo ano, mas não um país novo.
Entramos em 2026 cansados, não do trabalho, mas da luta constante para existir com dignidade. Cansados de sobreviver em vez de viver. Cansados de pedir direitos como se fossem favores. Cansados de enterrar sonhos antes mesmo de os realizar.
2025 foi um ano duro. Um ano em que a rua falou alto e o poder respondeu com silêncio, bala e gás. Um ano em que a democracia foi testada até ao limite e em que muitos perceberam, tarde demais, que o voto não termina na urna, começa nela. Mas se 2026 nos encontrar feridos, também nos encontraremos acordados.
Há algo que 2025 não conseguiu matar: a consciência. O medo já não é absoluto. A resignação já não é regra. Em cada bairro, em cada mercado, em cada transporte superlotado, há conversas que antes não existiam. Perguntas que antes não se faziam. Gente que já não baixa a cabeça com tanta facilidade.
2026 chega como um espelho: vai reflectir aquilo que escolhemos ser.
Pode ser o ano da continuação, da corrupção reciclada, da violência normalizada, da pobreza romantizada, do silêncio comprado. Mas também pode ser o ano da viragem: da verdade dita sem medo, da justiça exigida sem desculpas, da cidadania vivida para além das redes sociais.
Que 2026 não seja apenas um novo número no calendário, mas um ponto de ruptura.
Que seja o ano em que as mulheres deixem de ser estatísticas e sejam prioridades. Em que os jovens deixem de ser vistos como ameaça e passem a ser ouvidos como solução. Em que os deslocados deixem de ser “problema humanitário” e passem a ser cidadãos com direitos.
Bem-vindo, 2026.
Não te pedimos milagres.
Pedimos coragem.
Pedimos memória.
Pedimos justiça.
E, acima de tudo, pedimos que não nos encontres de joelhos, mas de pé, conscientes e prontos para escrever uma história diferente. (Milda Langa)







