As Similaridades do tipo de ecossistema do lado moçambicano como do Zimbabwiano, associado a ocorrência de mesmas espécies ao longo da cordilheira irão através do projecto ser estudados conjuntamente através da realização de pesquisas e expedições transfronteiriças entre as duas partes.
O sistema de monitoramento de elefantes colarizados via Earth ranger do lado moçambicano evidencia o movimento migratório desta espécie até a região de Chikukwa, próximo ao Zimbabué, mostrando o quão importante vai ser perceber o trajecto dos paquidermes após a passagem para o lado Zimbabwiano que pode representar a importância na vida das espécies.

“Do ponto de vista do Desenvolvimento do turismo, este projecto vai engajar as comunidades locais no que concerne a ganhos advindos da actividade, criando pacotes turísticos transfronteiriços, e estimulando o conhecimento e exploração dos atractivos de ambas regiões pelos turistas mediante um pacote único”, explicou Lionel Macicame administrador do Parque Nacional de Chimanimani em Moçambique.
Segundo Macicame, o parque alberga diferentes espécies de mamíferos, répteis, anfíbios e insectos endémicos e mundialmente ameaçados, fazendo parte de uma área importante para aves (Important Bird Area) com destaque para a apalis chirindens que é endémica na cordilheira de Chimanimani e Mt. Gorongosa. Distingue-se também a ocorrência do Elefante-Africano, antílopes diversos como Kudus, Imbabalas, pala-palas, changos elandes, pivas e do Cave squeaker (Arthroleptis troglodytes) que é uma espécie de rã em perigo crítico, cuja ocorrência só era registada no Zimbabué.
Projectos de desenvolvimento comunitário / conservação /turismo
A Zona tampão do parque Nacional de Chimanimani é consideravelmente maior que a área de protecção total, obrigando o parque a tomar uma abordagem de conservação diferente na perspectiva de envolvimento das comunidades localizadas ao redor do parque, visto que os recursos naturais estão distribuídos ao longo das mesmas.
“Neste âmbito conduzimos em parceria com diversos parceiros da região, projectos que estimulam a criação de cadeia de valor através da capitalização dos produtos florestais não-madeireiros que recorrendo a técnicas ambientalmente sustentáveis criam alternativas de renda e melhoram as condições de vida das comunidades”, afirmou a fonte.
Falando sobre a apicultura Macicame no parque nacional de Chimanimani, o administrador disse que a instituição que dirige, promove a produção do mel em coordenação com vários parceiros, onde se destaca a Mozambique Honey Company, que compra a produção das comunidades em favos, para a posterior processar e vender aos consumidores finais, estimulando a cadeia de mercado e, a protecção de plantas melíferas das quais as abelhas dependem para o processo de polinização.
A componente de apicultura ganhara ainda mais visibilidade com o recém-chancelado PROMEL. Uma iniciativa investigativa que ajudará na identificação de plantas locais que poderão ajudar na produção de um mel de melhor qualidade e certificará o produto processado para uma potencial exportação para o mercado internacional, afirmou Macicame.
A produção do Café no parque nacional de Chimanimani, promovido através do projecto Tricafé e junto de diversos actores da zona tampão (ECO-Resbio, café Manica e Agrotur) que é uma iniciativa de restauração florestal de áreas degradadas por meio de plantas nativas e de consumo, como a cultura de café de sombra, que acoplado a outras culturas preferenciais das comunidades (ananás, milho, feijão bóer, mapira, gergelim, bananal e outras fruteiras), consciencializa aos produtores sobre a necessidade de recuperar áreas que antigamente foram degradadas por conta da agricultura itinerante e mineração ilegal e abre campos para o cultivo intensivo usando produtos químicos.
ʺEsta iniciativa abre espaço para futuramente rentabilizar os esforços de reflorestamento através do sequestro de carbono que poderá promover a recuperação de áreas devastadas para uma maior emissão de oxigénio e protecção da camada de ozono de quem todos nós dependemosʺ, afirmou.
De parceria com a Fundação Micaia, através do projecto CBDC “Conservação da Biodiversidade e Desenvolvimento Comunitário no Parque Nacional de Chimanimani e sua Zona Tampão”, financiado pela Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), o Fundo Francês para o Meio-Ambiente (FFEM) e Fauna e Flora (FF), está em curso a promoção de uma gestão ambiental sustentável na região de Chimanimani e a melhoria das condições de vida das comunidades que vivem dentro e ao redor do Parque, a criação de uma cadeia de valor através da capitalização de diversos produtos florestais não madeireiros, com destaque para o uso da Lippia Javanica (Muchane), a partir da qual vários produtos como chás medicinais, pomadas nasais, difusores e ambientadores, sabões, lipsis cogumelos e Jamos que são posteriormente vendidos a diversos consumidores finais.

Na componente de turismo, o parque está no âmbito da melhoria das condições para o desenvolvimento do turismo, a potencializar a comunidade de Nhabawa que é o “Hub” do ecoturismo ao nível do parque, através da instalação de um acampamento comunitário de raiz, com facilidades melhoradas de acomodação e recreação geridos pelo operador “Big Five Safaris” em parceria com a comunidade local.
A comunidade de Nhabawa detém maior parte dos atractivos mais sonantes do Parque (Pinturas rupestres e cavernas dos povos Khoisan, Garganta de Chimanimani, Cascata de Muoha e o Monte Binga) atraindo parte considerável do universo de visitantes que chegam a esta rica e endémica área de conservação.
As actividades remuneradas de condução de grupos de visitantes pelos membros da comunidade tem contribuindo bastante para a valorização do património fauno-florístico pela comunidade que percebe cada vez mais a importância que o ecossistema tem na harmonização das condições globais do clima e sobretudo na angariação de receitas em benefício próprio, sem deixar de lado a forte influência que o turismo desempenha no aumento da conscientização das mesmas sobre a necessidade de zelar pelo meio-ambiente evitando fazer queimadas descontroladas, a caça furtiva e reduzindo o envolvimento nas acções de garimpo ilegal.
A zona tampão do Parque Nacional de Chimanimani é relativamente maior que a sua área de protecção total, pelando presença de comunidades em um perímetro alargado, eleva-se a pressão pelos recursos naturais através da caça furtiva, garimpo ilegal e abate de árvores com fins de abertura de áreas para o cultivo, aumentando os focos de áreas degradadas ao nível da região.
Nesse sentido, para responder a estes problemas e também conter a expansão de algumas espécies invasoras como a Vernonanthura phosphorica, o parque está conduzindo acções envolvendo a comunidade, para restaurar áreas degradadas na região, estabelecendo viveiros permanentes de espécies nativas da região, que serão posteriormente levadas ao campo definitivo afiançou Lionel Macicame em entrevista a Integrity Biodiversity.
O Parque Nacional de Chimanimani é uma área de conservação transfronteiriça localizada na Província de Manica, Distrito de Sussundenga, posto administrativo de Rotanda. Seu objectivo principal é garantir a protecção dos recursos naturais e da endémica biodiversidade do maciço de Chimanimani, onde se localiza o ponto mais alto de Moçambique (Monte Binga), com cerca de 2.436 m de altitude.
A região conta com cerca de 42 nascentes de vários rios que fluem para o Révuè, e são indispensáveis para o abastecimento da Bacia do Búzi da qual o Parque faz parte.
A área, antigamente reserva nacional, conta desde a sua elevação à categoria de Parque Nacional (em 2020), com uma extensão de cerca de 2.378km², dos quais, 1718 km² correspondem a zona tampão e 660 km² a zona de protecção total. Sua vegetação afro-montanhosa é caracterizada pela floresta de Miombo que é maioritariamente dominada pela ocorrência de espécies como a Julbernardia globiflora, Brachystegia spiciformis, B. utilis, B. boehmii, uapaca kirkiana (Mzansi) que pelo seu valor económico e crescente procura, são estritamente protegidas contra o desflorestamento que ameaça estas e mais espécies ao longo da região. (Pedro Tawanda)









