Conforme a denúncia, que já terá sido submetida ao Tribunal Administrativo e à Procuradoria-Geral da República, o montante em causa terá sido desviado mediante transferências para contas pessoais de figuras do topo.
Entre os nomes citados na denúncia figuram o Presidente do Conselho de Administração (PCA), Abdul Naguibo, a Administradora de Contabilidade e Finanças, Alice Gove, o Administrador Técnico e Informático, e a Directora do Gabinete do Conselho de Administração (CA).
Apesar de uma equipa de investigação ter sido enviada à RM para realizar uma auditoria, os trabalhadores alegam que, embora a conclusão já exista, os resultados permanecem ocultos. “É necessário que o resultado seja apresentado e os autores do saque sejam punidos exemplarmente”, afirmam os denunciantes.
A crise financeira da RM é agravada, segundo as fontes, pela “morte” da Direcção Comercial, outrora o motor financeiro da casa. A extinção de bónus de angariação de clientes terá desmotivado a força de vendas, resultando numa queda drástica das receitas publicitárias.
Em paralelo ao rombo dos oito milhões, os funcionários apontam para outras irregularidades, como o polémico processo de compra de 70 computadores, onde alegam que somente “pequenos chefes” foram responsabilizados, poupando a estrutura de topo.
O descontentamento atingiu o auge com o pagamento do 13.º salário. O Conselho de Administração é acusado de aplicar uma “manobra” ao pagar apenas 40% do total dos abonos, o que prejudicou gravemente os trabalhadores com salários mais baixos. Em contraste, a denúncia refere que os membros do CA e directores mantiveram os seus privilégios.
“Isto não pode continuar assim, estamos cansados. Que haja uma reestruturação no Conselho de Administração, pois o actual só prejudica a empresa e os seus trabalhadores”, desabafaram, sob anonimato, num tom de profunda tristeza.
A denúncia detalha ainda que, enquanto a massa laboral sofre com salários precários, existe uma distribuição semanal de verbas para os altos quadros da RM. Assessores e membros do CA estariam a beneficiar de quantias fixas semanais sem uma justificação clara perante a situação de “rastos” onde a empresa se encontra. (Integrity)







