“O mais triste é que não são aqueles que nos colonizaram que matam os moçambicanos hoje, mas matamo-nos entre irmãos, entre compatriotas, entre moçambicanos, só por causa das opiniões diferentes”, afirmam os bispos na sua declaração expondo as divisões sociais crescentes no país e os “efeitos dolorosos” dessa fragmentação.
A recente onda de violência, exacerbada pelo tenso período pós-eleitoral, foi destacada como uma das principais fontes de preocupação. Segundo os bispos, o comportamento agressivo e as atitudes intolerantes entre grupos com diferentes visões políticas e sociais têm deixado um rastro de dor e incerteza entre a população. Em resposta, o Conselho pediu união e paz, enfatizando que as disputas políticas não devem ser motivo para derramamento de sangue. “A violência gera violência, e o ódio gera ódio”, enfatizam no comunicado, citando ensinamentos bíblicos que condenam o ciclo da violência.
O Conselho Anglicano apelou para que líderes políticos e religiosos, sociedade civil e instituições de justiça priorizem o diálogo e a reconciliação como forma de restabelecer a paz. “Os moçambicanos necessitam de dialogar para se reconciliarem”, sublinham, convocando a todos os sectores a contribuírem para um ambiente que traga esperança, especialmente para os jovens. Os bispos reiteraram que as instituições devem promover a liberdade de expressão e garantir que o direito à manifestação seja respeitado, apontando para a necessidade de ouvir os cidadãos que expressam suas preocupações legítimas.
Ainda sobre as recentes eleições que legitimaram Daniel Chapo e o partido Frelimo como vencedor, o comunicado apontou “questões por esclarecer”, reconhecendo as tensões e o sentimento de insatisfação de parte da população, principalmente os que apoiam Venâncio Mondlane. Ainda, os bispos pedem que o sistema de justiça e as autoridades eleitorais abordem essas questões de forma transparente e justa, para restaurar a confiança do povo.
O Conselho Anglicano finalizou com um apelo para que todos os moçambicanos priorizem a paz e a unidade nacional, lembrando que “a justiça engrandece a nação, mas o pecado é uma vergonha para qualquer povo”. Em suas palavras, a construção de um país mais justo depende de cada cidadão, que deve buscar a paz, mesmo diante de tempos sensíveis e desafios significativos. (Bendito Nascimento)







