Trata-se de um documento que expõe os valores sociais, conhecimento, habilidades e competências voltadas para a conservação do meio ambiente. Assim como estabelece compromisso colaborativo, estratégico e de coesão na construção da literacia ambiental.
A preocupação com esta política surge no âmbito da passagem de mais um Dia Mundial da Limpeza, celebrado na última sexta-feira (20 de setembro), no qual, habitualmente, milhões de pessoas de todo o mundo unem-se para limpar o planeta.
O ambientalista Carlos Serra, em entrevista a nossa reportagem, sublinhou que o governo está a procrastinar a aprovação da estratégia cuja a outorga dinamizaria as actividades de protecção ambiental e da biodiversidade no país.
“Se há um documento que está há algum tempo a ser preparado pelo governo, que faz muita falta, não só a sua aprovação, mas principalmente a sua operacionalização, é a Estratégia Nacional de Educação Ambiental”, explicou.
Por seu turno Regina Charumar, do movimento Geração Consciente, dando exemplo da Lei do Ambiente, explica que não basta o lançamento da estratégia, é fundamental que sua implementação seja efectivada na totalidade.
“É importante também ter em conta que não é só legislar, não é só ter regulamentos que vai alterar o cenário da educação ambiental. Há todo um processo que deve ser feito em paralelo, independentemente de estarem ou não escritos”, lembrou.
Regina adianta que para o caso de Moçambique a falta de educação ambiental não está na escassez de políticas e estratégias, mas sim na inexistência de preocupação, por maior parte dos moçambicanos, em relação a protecção da biodiversidade.
É unânime entre os ambientalistas que devido a situação de vulnerabilidade na qual Moçambique se encontra deve-se pensar no meio ambiente com preocupação e políticas do género devem ser aprovadas e implementadas.
Governo não apoia acções de limpeza e protecção ambiental
Durante a entrevista as nossas fontes transpareceram que ainda constitui desafio ter apoio governamental na execução das jornadas de limpeza e de protecção ao meio ambiente.
“Especificamente em relação a limpeza de praias não há nenhum reforço, nenhuma preocupação por parte de entidades que deviam ser responsáveis por isso”, lamentou Regina Charumar.
Já Carlos Serra destaca a falta de apoio dos governos locais para efectivação das iniciativas. Lembra também que o envolvimento das estruturas de administração pública traria outra dinâmica às campanhas de limpeza e de sensibilização.
“Nós sentimos que é necessário que as entidades competentes também façam a sua parte. Os locais públicos devem ser abraçados, em primeiro lugar, por eles. Há lugares que nunca vemos trabalhadores do município a não ser que haja uma jornada de limpeza”, queixou.
Depois de vários anos em campanhas de limpeza os ambientalistas continuam a queixar-se de burocracias excessivas para terem autorização de exercerem as suas tarefas pelo que apelam por facilitações dada a natureza do trabalho.
No seu entender por se tratar de acções ambientais, de carácter voluntário, as instituições públicas deveriam criar facilidades para a sua actuação.
“Se nós queremos fazer uma campanha de limpeza é necessário que tenhamos algum apoio por parte do município para fazer o encaminhamento correcto do lixo. E as entidades que são responsáveis pela gestão de resíduos sólidos nem sempre estão disponíveis. É uma luta para conseguir essa autorização”, denunciou.
Os ambientalistas pedem a intervenção urgente do governo nessas actividades para que o activismo ambiental seja massificado e realizado em conjunto de forma a alcançar resultados mais satisfatórios para o planeta.
“Eu faço reforço a esta questão do apoio pelo facto das actividades serem educativas ambientais e pela necessidade de elas serem mais abrangentes. Com o apoio de entidades que são responsáveis por esta área elas poderiam ser massificadas e teriam um impacto muito maior”, justificou Regina.
“A limpeza dos espaços públicos deve ser diária” – recomenda Carlos Serra
No entender de Carlos Serra toda acção de protecção ao meio ambiente deve integrar-se numa abordagem de educação ambiental. Para ele o objectivo não é somente de limpar e isso deve ser feito diariamente.
“Toda acção de limpeza que é feita por nós é antecedida e precedida por um trabalho de sensibilização para intervir positivamente no ambiente. No caso de Maputo, Pemba e Beira, nós até fazemos monitoria de resíduos, deveria ser todos dias”, propôs.
A nossa fonte revelou que actualmente debatem-se com a falta de adesão nas jornadas de limpeza. Ao seu ver a sociedade não compreende os princípios de cidadania e responsabilidades partilhadas devido ao impacto da má gestão dos resíduos sólidos no meio ambiente.
“Não quer dizer que nós não consigamos mobilizar notamos uma falta tão grande de consciência em relação a valores comunais. Fazemos um esforço muito grande para conseguirmos levar as pessoas às acções de limpeza”, lamentou.
Essas observações fazem crer que que há muito trabalho a fazer na educação de base em todos locais comunitários de forma que as acções de limpeza sejam impactantes. (Ekibal Seda)







