Recentemente, de acordo com o “SAVANA”, um voo que fez o troço Lusaka – Harare – Maputo, transportando parte da delegação presidencial que esteve de visita à Zâmbia, teve um atraso de cerca de quatro horas para sair daquele País. Inicialmente, previsto para sair por volta das 16:00 horas, o voo partiu de Lusaka por volta das 20:30 e só aterrou em Maputo quando eram precisamente 23:10.
No passado dia 01 de julho, foram reportados atrasos em voos com destino às cidades da Beira e de Tete. Como sempre, a LAM não dá explicações aos passageiros sobre os motivos dos atrasos. O “SAVANA” apurou que um dos grandes constrangimentos que a companhia de bandeira enfrenta tem a ver com a disponibilidade da frota de aviões para responder, satisfatoriamente, aos voos programados.
Desde a contratação da consultora sul-africana Fly Modern Ark (FMA), cuja missão era estabilizar as contas da LAM, que andavam no vermelho, o estado da frota tende a agravar-se. A companhia de bandeira nacional contava com uma frota composta por dois Boeing 737-700, três Q400 e três Embraer 145 da subsidiária MEX e não alugava nenhuma aeronave a tempo inteiro, como sucede agora.
A LAM, actualmente, opera apenas com quatro aviões, dos quais dois são da frota da companhia nacional; um Boeing 737-700 e um Q400. Conta ainda com dois CRJ alugados à CMR, incluindo a tripulação.
A questão da tripulação estrangeira em voos domésticos está a causar algum desconforto nos inúmeros moçambicanos, que se fazem transportar nos mesmos. O uso da língua inglesa por parte da tripulação tem sido uma enorme barreira, quando os nacionais procuram comunicar algo e dizem não entenderem a adopção dessa política.
A LAM garante, actualmente, as suas operações com um máximo de quatro aeronaves, facto que tem exigido um enorme esforço para o cumprimento dos voos programados, sendo uns com sucesso e outros sujeitos à reprogramação.
O estado da frota agrava-se com o facto de a subsidiária, MEX, ter suspendido as operações de voo. A MEX é detida em 100% pela LAM e tem a própria companhia de bandeira como principal cliente para aluguer dos seus aviões. Mas, através de um comunicado interno com referência 001/2024, datado de 29 de junho, a que o “SAVANA” teve acesso, a MEX diz que “decidiu pela suspensão temporária das operações de voo por motivos operacionais”.
Esclarece ainda que a suspensão abrange somente as operações de voo, sendo que a mesma poderá ser levantada a qualquer momento, pelo que os sectores da empresa afectados por esta situação deverão estar em prontidão para a retoma das actividades.
A MEX conta com três Embraer 145, que são de capital importância para a garantia das operações da LAM. Recorde-se que num passado recente, a FMA quis banir as aeronaves da MEX das operações da LAM, alegando que a empresa não era rentável. Esperava-se com isso abrir-se espaço para viabilizar o negócio da FMA de aluguer de aeronaves na África do Sul.
Neste momento, os três aviões Embraer 145 estão no chão, tal como se diz na linguagem do sector. O “SAVANA” apurou que dos três aviões, dois estão avariados. “O BEM 145 C9-MEK está num hangar, tendo concluído um C-Check e aguardando pagamento. O BEM 145 C9-MEX está em terra, aguardando ser despachado para as instalações da Namíbia para um C-Check”, refere um documento citado pelo SAVANA.
O terceiro BEM 145 C9-MEH, segundo apurou o “SAVANA”, necessita urgentemente de pneus novos para a sua manutenção, como também o manual do aparelho carece de sincronização. De referir que na semana passada, o “SAVANA” contactou o Director-Geral da MEX, comandante Jorge Neves, para colher esclarecimentos acerca da suspensão das operações de voo.
Confrontado com o assunto, Neves recusou falar com profundidade sobre o assunto. “Se você tem a informação de suspensão de operações, o que pretende de mim? É para eu fazer o quê? Questionou e de seguida desligou o telefone. Em menos de um minuto, retornou a chamada para dizer que “contactem o gabinete de comunicação da LAM para apresentarem o assunto e aí vamos nos comunicar”.
Entretanto, de acordo com o Jornal que tivemos vindo a citar, o gabinete de comunicação da LAM prometeu voltar a contactar o SAVANA nesta semana, para abordar outros assuntos levantados pelo Jornal. No entanto, não é a primeira vez que a MEX suspende as operações durante a administração da FMA.
A 1ª foi em agosto de 2023, após desentendimento com a LAM/FMA, que culminou com o não pagamento de uma dívida de USD 1,1 milhão à fabricante brasileira Embraer, que, por sua vez, bloqueou os manuais das aeronaves.
Frota
Recentemente, a Direcção – Geral da LAM, liderada pelo sul-africano Theunis Crous, deu a conhecer o ponto de situação da frota, perspectivas para o seu melhoramento e o consequente cumprimento de metas impostas para o presente ano.
No documento na posse do Jornal, a FMA disse estar a trabalhar com o executivo para aumentar o número de aeronaves em uso na operação de voos da LAM. Aponta que o ideal é ter 17 aviões, incluindo os três Embraer da MEX. Projecta ainda ter mais helicópteros de marca Leonardo.
Com esse número de aparelhos, a consultora sul-africana diz que estão criadas as condições para o aumento de frequências em rotas de alta procura e potencial para expansão. Garante, igualmente, que pode cumprir a meta definida para o presente ano, que é de transportar um milhão de passageiros, no presente exercício económico.
Paralelamente à busca de recursos para novos investimentos, assinala o documento, estão a ser desenvolvidos esforços no sentido de tornar operacionais todas as aeronaves que estão em terra, num horizonte de seis meses. Aquando das avarias verificadas em novembro do ano passado, durante a gestão de João Pó Jorge, o ministro dos Transportes e Comunicações, Mateus Magala, saiu em defesa da FMA e atirou a culpa aos gestores da LAM, que, no seu entender, deveriam mudar de atitudes.
“Creio que com as reformas que estamos a fazer vamos ter um ponto de inflexão onde essas avarias constantes que incomodam o público e a nós governantes, em primeiro lugar, vão cessar. Não é esse o mandato que demos aos gestores, é para eles fazerem as coisas como devem ser feitas, com profissionalismo e com muita efectividade. Mas, infelizmente, estamos num processo em que a transformação das atitudes e das mentes ainda não está no ponto desejado”, referiu Magala na ocasião, quando confrontado pela imprensa.
Passados mais de oito meses após este discurso bombástico de Magala, as coisas tendem a piorar na companhia aérea nacional. (SAVANA/IMN)







