ExxonMobil prevê tomar uma decisão final de investimento sobre o projecto de extração de gás natural da Bacia do Rovuma em finais de 2025

O Director-Geral da petrolífera norte-americana ExxonMobil, Arne Gibbs, prevê tomar uma decisão final de investimento sobre o projecto de extração de gás natural da Bacia do Rovuma em finais de 2025.

“Estamos optimista, estamos a avançar, mas reconhecemos que há ainda desafios”, disse o responsável em declarações citadas pela agência de informação financeira Bloomberg, nas quais aponta a Decisão Final de Investimento apenas para o final do próximo ano, concretizando a previsão feita em Julho de começar em 2025.

Em declarações citadas pela Bloomberg, Arne Gibbs confirmou que a petrolífera deu por concluído o trabalho preliminar de engenharia e design do projecto de 18 milhões de toneladas por ano, na bacia do Rovuma, e que o grupo de engenheiros e designers vai começar o projecto “nos próximos meses”.

Sobre a insurgência que parou as obras em Março de 2021, Gibbs comentou: “Houve melhorias significativas na situação de segurança desde que começámos, em 2021, e sabemos que ainda há mais trabalho a ser feito”.

A posição de Gibbs surge na mesma semana em que o Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, disse que o financiamento não é motivo para atrasar a implementação dos megaprojetos de gás natural, liderados pela francesa TotalEnergies e pela norte-americana ExxonMobil.

A propósito dos projectos de gas Natural do Rovuma, fazendo apelo aos concessionários da Área 1, liderada pela TotalEnergies, que perante a “gradual promissora estabilidade” na península de Afungi, Distrito de Palma, Cabo Delgado, “acelerem o desenvolvimento da retoma dos projetos em terra”, e que na Área 4, em terra, liderado pela ExxonMobil “se acelere o processo conducente à Decisão Final de Investimento, com os devidos ajustamentos ao Plano de Desenvolvimento aprovado em 2018”.

Falando no decurso da abertura da 10ª. Conferencia de Exposição de Energia e Mineração de Moçambique, realizada em Maputo, Nyusi exigiu que  “É fundamental – avançar com os projetos – porque não pode ser problema de decisão financeira, agora, associado à situação terrorista. Esse projeto já existia, já é antigo. Isso significa que havia clareza na sua execução”.

Nyusi denunciou ainda que “não pode encalhar por esta razão, que se procurem outras”.

No  mesmo evento, o chefe de Estado salientou que a “demora” na concretização deste tipo de projetos “provoca problemas”, porque a “expectativa dos países é enorme” e “as pessoas ficam a pensar que uma parte do seu problema pode estar resolvido”.

O projecto do Rovuma LNG será “o maior projeto de gás natural liquefeito em Moçambique,  pode ser o maior projecto na história africana com potencial para influenciar a transição energética no continente e no mundo.

Moçambique tem três projetos de desenvolvimento aprovados para exploração das reservas de gás natural da bacia do Rovuma, classificadas entre as maiores do mundo, ao largo da costa de Cabo Delgado.

Dois desses projetos têm maior dimensão e preveem canalizar o gás do fundo do mar para terra, arrefecendo-o numa fábrica para o exportar por via marítima em estado líquido.

Um é liderado pela TotalEnergies (consórcio da Área 1) e as obras avançaram até à suspensão por tempo indeterminado, após um ataque armado a Palma, em março de 2021, na altura em que a energética francesa declarou que só retomaria os trabalhos quando a zona fosse segura.

O outro é o investimento ainda sem anúncio à vista liderado pela ExxonMobil e Eni (consórcio da Área 4, em terra).

O projecto da Exxon em Cabo Delgado previa uma produção de 15,2 milhões de toneladas por ano, mas na revisão feita pela companhia, o volume de  produção anual passou para 18 milhões de toneladas (O.Económico/IMN)

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