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Hotel de luxo transforma-se em ruína em Quelimane

Hotel de luxo transforma-se em ruína em Quelimane

Um dos maiores e mais antigos hotéis do país, cartão de visita de Quelimane, o hotel Chuabo, está abandonado e a degradar-se sob olhar de quem devia cuidar dele. Pessoas mal intencionadas estão a vandalizar a infraestrutura.

INTEGRITY, MAPUTO, MARÇO DE 2024 – O empreendimento é de uma beleza espetacular e com vista ao rio dos Bons Sinais. Seu interior coberto de madeira de primeira classe, fazia do local mais atrativo para para quem estivesse de passagem a cidade de Quelimane. O Hotel Chuabo é propriedade do Estado, peplo que está sob a gestão do Instituto Nacional do Turismo (INATUR). Faz parte do conjunto dos primeiros hotéis 4 estrelas do país antes e depois da independência. Foi um verdadeiro patrimônio turístico da província da Zambézia.

O primeiro Presidente de Moçambique independente, Samora Machel entregou a gestão privada aquela infra-estrutura, por forma a garantir a melhor manutenção e funcionalidade do hotel, oque viria acontecer até pelo menos 2010. Daí seguiu uma outra gestão até meados de 2017. A referida gestão devolveu o patrimônio ao Estado que por sua vez concessionou o empreendimento a Muhimbe África.

Consta que a Muhimbe África devia seguir para reabilitação da infraestrutura. Para isso, solicitou ao Estado que retirasse todos os móveis nos 65 quartos e respectivas salas, o que aconteceu em 2019.

Há cerca de cinco anos nem água vem, nem água vai para o desespero de pelo menos 28 trabalhadores do hotel Chuabo que estão sem salários a 2 anos e 2 meses.

“ Já estamos a fazer 26 meses sem salários, fomos informados pela Muhimbe África a ficar em casa para dar lugar a reabilitação, com promessa de pagamento de salários. Nos primeiros meses, apesar de ser com complicações, recebíamos os nossos ordenados. Passaram dois a quatro meses, fizemos barulhos e recebíamos gota a gota o nosso salário. Através do ministério do turismo, fomos orientados a levar o caso ao centro de mediação de conflito laboral, junto da Muhimbe África. Na acta do encontro, a Muhimbe África se comprometeu a pagar o salário até o dia 30 de Julho, quando somamos 19 meses de salários em atraso, o que não veio a acontecer” disse Manuel Sicaleta trabalhador e membro do comitê sindical da empresa.

Sicatela disse que na sequência os trabalhadores fizeram uma nova ginástica para que as instituições ajudassem a pressionar a Muhimbe África para honrar o compromisso feito.

“Foi nisto que escrevemos para o governador e Secretária de Estado da província da Zambézia, ministra do Turismo, INATUR cujo os documentos estão devidamente assinados e comprovados o recebimento, mas até aqui não existe nenhum avanço” disse.

O certo é que o hotel está a atingir níveis assustadores de degradação, aliás está voltado ao abandono e os amigos do alheio estão a vandalizar dia após dia. Já removeram a instalação eléctrica, toda tubagem de canalização de água entre outros bens.

O governador da província da Zambézia, Pio Matos, reagiu com preocupação ao actual estágio desta infraestrutura.

“Nós temos grande patrimônio ao nível da cidade de Quelimane, um dos hotéis que no país era de referência, mas com a mudança da gestão para o Instituto Nacional do Turismo, nunca mais se encontrou caminho certo para dar continuidade uma exploração devida. Acreditamos nós que o INATUR já tentou contactar melhores operadores, mas que nunca honraram com compromissos, infelizmente os anos não param e a infraestrutura degrada-se. Provavelmente, se os tempos continuarem deste jeito e sem ninguém tomar conta, a reabilitação poderá ser mais cara que a construção de um novo hotel. É necessário que o Governo central por via do Ministério do Turismo e o INATUR pegue a peito a matéria e ponha a andar o projecto” disse o governador da Zambézia.

Pio Matos foi categórico ao afirmar que “ se entenderem que de facto está difícil, o único conselho que posso dar é que devolvam o patrimônio a Zambézia, e o governo local encontrará parceiros para juntos reparar ou reconstruir o patrimônio que muito nos dói olhar para o estado em que está” disse Pio Matos.

Só para se ter uma ideia da história do referido hotel, foi dos preferidos do primeiro presidente de Moçambique independente Samora Machel.

O Presidente Joaquim Chissano sempre que visitasse a Zambézia, por vezes se hospedava naquele hotel. Consta, também, que o falecido presidente da República do Malawi, Kamuzu Banda, também se hospedava no hotel Chuabo, das vezes que entrava no país.

Recorde-se que o Hotel Chuabo foi desenhado pelos arquitectos portugueses Arménio Losa (1908-1988) e Cassiano Barbosa (1911-1998). E tem a curiosidade de ser o único edifício em Moçambique, da época, a ter persianas. – O País/INTEGRITY 

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