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Dhlakama: "Como a RENAMO está, ninguém votará no partido"

Dhlakama: “Como a RENAMO está, ninguém votará no partido”

Elias Dhlakama questiona a não realização do congresso da RENAMO, "um imperativo nacional". Para o irmão do falecido líder do partido da oposição, existe "uma corrente de má-fé que quer ver a RENAMO destruída".

Venâncio Mondlane desafiou publicamente a Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), ao submeter ao Tribunal duas providências cautelares, onde questiona a liderança do presidente Ossufo Momade.

O deputado da Assembleia da República pela bancada do maior partido da oposição alega que Momade está fora dos limites estatutários.

Em entrevista à DW, Elias Dhlakama também defende a realização, o mais depressa possível, do congresso do partido.

O candidato vencido no congresso da RENAMO em 2019 esclarece que ninguém está exigir a demissão de Ossufo Momade da liderança do partido, mas sim a contestar que a sua permanência no cargo seja fruto de uma “imposição”.

DW África: Como olha para a posição de Venâncio Mondlane e a crise interna no seio da RENAMO?

Elias Dhlakama (ED): Eu acredito que o que está a acontecer na RENAMO seja desejo do general Ossufo Momade.  Acredito até que deve existir uma corrente de má-fé que quer ver a RENAMO destruída. Se formos para as eleições gerais nas condições em que nos encontramos, acredito que estaremos a dar “o ouro ao bandido”, ou seja, dar os votos ao nosso adversário principal. Porque, de facto, da maneira que a RENAMO está hoje, ninguém vai votar [no partido].

DW África: Acha então que com Ossufo Momade na presidência é impossível a RENAMO ganhar as eleições?

ED: Dentro da RENAMO ninguém está contra Ossufo Momade. Existe uma má interpretação neste ponto. O que o povo e os membros da RENAMO exigem é a realização do congresso do partido. O presidente Ossufo Momade, querendo, tem que concorrer de igual para igual com outros candidatos, com qualquer outro membro que queira se candidatar. Não pode existir essa demora na marcação do congresso usando a justificativa de falta do dinheiro ou falta de tempo. Não são apenas os membros do partido que estão dececionados com o que está a acontecer na RENAMO, mas o povo no geral.

DW África: Considera que houve má-fé?

ED: Sim, porque se não fosse de má-fé o conselho nacional já deveria ter sido convocado para explicar os motivos da demora da realização do congresso. O que se pretende aqui? É “fugir com o rabo à seringa”, que nós não queremos. Nós queremos o partido, porque este partido é uma esperança do povo. O congresso é um imperativo nacional.

DW África: Mas acha que ainda há espaço de manobra para a convocação e realização do congresso da RENAMO?

ED: Quer a sociedade civil, a opinião pública, ou os próprios membros da RENAMO, todos estão à espera do congresso. E o Conselho Nacional não pode substituir o Congresso. Cada órgão tem as suas prorrogativas e essas prerrogativas. Querem usar o conselho nacional, alargado a outros quadros. Quadros que hão de vir de províncias viciadas, que já têm informações de quem deverão indicar. E isso vai criar cada vez mais problemas dentro do partido.

DW África: Quando diz “províncias com pessoas viciadas” refere-se a “compra de mentes” para legitimar Ossufo Momade?

ED: Sim, porque, caso contrário, estão à espera de quê? Por que marcar o Conselho Nacional em abril? Sendo que logo no mês a seguir, em maio, haverá o arranque do registo dos candidatos às eleições gerais. (DW)

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