Custo de vida: Maleiane sugere que pessoas vão a zonas onde “a vida é melhor”

Falando sobre as perspectivas do crescimento económico, ontem, na Cidade de Maputo, com os estudantes universitários, o Primeiro-ministro, Adriano Maleiane, deu uma sugestão para o alto custo de vida: “eu souber que, na Beira, a taxa de inflação é de 5 e, em Maputo, está nos 15, eu vou à Beira porque a vida lá é melhor”.

Viver, por estes, só com uma máquina calculadora nas mãos, mas ainda assim, as contas “não batem” porque o custo de vida está cada vez mais alto em Moçambique. Este é facto que é do conhecimento do Governo.

Esta quarta-feira, numa palestra com estudantes universitários, o Primeiro-ministro, Adriano Maleiane apontou uma das propostas de solução para “frear” o alto custo de vida e ela vem das estatísticas. O governante explica como isso funciona.

“As pessoas dizem que o custo de vida é alto. É alto, sim, mas nós não estamos numa ilha. Se reparar, 2020 o mundo andou diferente e a gente conseguiu, no ano passado, uma taxa de um dígito já foi melhor”, começou por elogiar o Primeiro-ministro, Adriano Maleiane.

O governante continuou o seu pensamento, avançado que o Executivo está a fazer mais. “A partir do Instituto Nacional de Estatística, o Governo está a criar os índices de preço de todas as províncias porque este vai ser indicador para nós também encontrarmos oportunidades, porque, se eu souber que, na Beira, a taxa de inflação é de 5 e Maputo está nos 15, eu vou à Beira porque a vida lá é melhor. Então, vai ajudar nesta procura de oportunidade e atenuar a questão do custo de vida”, rematou Adriano Maleiane.

O Primeiro-ministro, Adriano Maleiane, deu uma sugestão para o alto custo de vida: “A província de Inhambane teve o maior aumento do nível geral de preços com cerca de 7,18%, seguida das cidades de Tete com 5,61%, de Quelimane com 5,47%, de Maputo com 3,72%, de Chimoio com 2,23%, de Xai-xai com 2,09%, da Beira com 1,65% e de Nampula com 1,54%”, lê-se no Índice de Preços no Consumidor Moçambique.

Adriano Maleiane falou, também, da expectativa do Governo em relação à renda por pessoa que deve ultrapassar mil dólares até 2035 contra os actuais perto de 500 dólares. “Podemos ter dificuldades de transmitir, mas esse é que é o caminho. Em 2035, cada um, em média, tem que ter mais de mil dólares de rendimento. Esta é a esperança que temos”, disse o Primeiro-ministro, num tom expectante.

Esta é a esperança que o Executivo tem num país cuja economia é suportada a 78 por cento pelo investimento directo estrangeiro, o que não é sustentável. “Quando cai o investimento directo estrangeiro, vamos ter problemas. Então, o que é preciso? Precisamos de empresários. Não temos empresários nacionais. Quer dizer, temos 43 mil empresas grandes, pequenas e médias, mas nós queremos empresas nacionais e até é um comando da Constituição da República. Temos que promover o empresariado nacional e ele tem que sair de vocês”, avançou Adriano Maleiane.

O Primeiro-ministro sublinhou, ainda, que o actual Governo é aberto às críticas porque são uma contribuição para melhorar o desempenho.

“O que pode acontecer é que muitas pessoas criticam uma coisa que não sabem. Então, quando você critica uma coisa que não sabe, não vai esperar que o Governo reaja a isto. Quando você critica uma coisa que não sabe, isto não é crítica, isso se chama ‘falar mal’ porque você não sabe o assunto, mas tem vontade de falar mal”, condenou Maleiane.

E, na mesma linha de pensamento, o Primeiro-ministro disse que “nós gostaríamos, de facto, de ver pessoas a dizer que o plano que fizemos não dá e devia ser desta ou daquela maneira. É assim que nós crescemos”.

Maleiane disse, igualmente, aos estudantes universitários que, para que a economia cresça, deve estar livre da corrupção.

A palestra sobre as perspectivas do crescimento económico decorreu na Cidade de Maputo e foi organizada pela União Nacional dos Estudantes Universitários. (Jornal O País)

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